sábado, 29 de maio de 2010

puzzles

Eu ainda não sei de muita coisa.
Sendo otimista, ainda estou no primeiro terço da minha vida, portanto, ainda tenho muito a aprender.
Mas se tem algo que já aprendi é que quando se trabalha com educação, se a equipe não fizer uns pelos outros, afunda. A equipe é todo mundo que trabalha no mesmo espaço, não só professores.
Se as pessoas passam a duvidar ao invés de ouvir, cobrar ao invés de somar, espiar ao invés de olhar, o barco afunda mesmo. E o pior: reflete no atendimento aos educandos. Um professor que vive esse tipo de situação passa a trabalhar com uma pressão maior ainda e isso reflete nas ações em sala.
Se tu não conheces o trabalho do outro, pergunta, ora bolas! Mas a solução mais fácil parece ser tentar disfarçar a ignorância pra não perder a pose. Isso me cansa de uma tal maneira que desanima.
Me faz lembrar de quando morávamos todos juntos, pai, mãe, e quatro filhos. A mãe tinha o desejo de um dia montar aqueles quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças e a mesa da sala de jantar ficava ocupada por muito tempo.
Às vezes (nas vezes mais divertidas) juntava todo mundo na volta da mesa. Virava bagunça, é óbvio.
A gente nunca conseguiu montar um inteiro.
As peças sempre sumiam.
Aliás, em casa com muita gente sempre some muita coisa, umas de propósito (como da vez em que os irmãos se uniram pra sumir com uma roupa da mãe que a gente achava horrível) outras sem querer.
O fato é que ninguém tinha interesse em sumir com as pecinhas, mas elas desapareciam. Talvez na educação seja um pouco assim, todos tentam fazer o seu melhor, mas algumas peças simplesmente não encaixam, pois não estão lá.
Mas tá.
Naquela época (em que ainda morava todo mundo junto) eu fui na casa de uma amiga e tava lá! Bem exibido na parede, um quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças todo montado!
E nesse dia eu aprendi que sim, é muito difícil, mas também não é impossível.
Eu ainda sigo tentando montar os meus, mas às vezes preciso ficar um pouco longe deles, se não eu não agüento.
Hoje tá assim.
Não quero, não quero e não quero brincar. Então não vou descer pro play! (ouvi isso a semana toda de uma pessoa que gosto muito. Não resisti, tive que usar)
Pelo menos hoje.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Improvisação

Improvisação combinada.
um dos grupos faz uma história de um menino que acha uma lâmpada mágica que lhe dá direito a fazer três pedidos.
Eu, claro, já imaginei quais seriam.
Quando a cena segue sou surpreendida ao perceber que o primeiro deles é um carrinho com controle remoto.
O segundo é que abrisse sol pra que ele pudesse brincar fora de casa.
O terceiro, um presente pra ele poder dar de dia das mães, já que ele ficou devendo na data.
E o ser humano sempre com a mania de achar que sabe das necessidades do outro..

sexta-feira, 21 de maio de 2010

na brinquedoteca

falando sobre futebol a professora pergunta porque o Dunga pode chamar os jogadores que ele quer pra ir pra copa, ao que eles respondem "mas ele é o presidente do brasil, ele pode" mas se ele é o presidente do brasil, quem é o lula? "o presidente dos estados unidos, né?"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ai..ai..

dia pieguíssimo.
tudo lindo.
tão lindo que enjoa.
hoje a prof de dança e eu reunimos nossas turmas numa sala só em quase todos os períodos. embora com o dobro de alunos, a gente se diverte muito mais.
eles eu não tenho bem certeza, mas a gente dá muita risada e fala muita coisa que, de novo, não tenho certeza se eles entendem. mas se esforçam!
e isso tem um resultado surpreendente. todas as vezes em que nos juntamos os alunos ficam com os olhos e ouvidos mais atentos.
talvez pela novidade.
talvez pelo nosso humor meio escrachado.
não sei.
e quando sobra um tempinho, a gente ainda consegue enriquecer nosso olhar sobre eles.
conduzi um relaxamento com música, um espreguiçar e ela um super alongamento.
depois conversando, me conta uma história linda sobre um dia em que ela fez um trabalho semelhante com os pequenos e colocou uma música infantil de uma boneca que é esquecida e uma das crianças chorou muito com pena da boneca.
e eu tive que contar de um aluno, que é daquele tipo disperso, que a gente nunca sabe se está ouvindo o que se diz, que comentou que o horário que ele mais gostava de ir pro ginásio era de tarde, porque o sol deixava tudo laranja e ficava lindo.
e mais um outro menino que conseguiu refletir sobre se devia ou não pedir desculpas.
e a menina de 14 anos que tentou ensinar um menino de 9 a dançar (isso não acontece com frequência nessa idade)
e mais um bando de meninos que se abraçou com verdade no final de um exercício (isso, com certeza, é raridade)
e mais um monte de abraços que eu ganhei.
eu avisei lá no início.
piegas.
pieguíssimo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Pérolas da semana



-Sôra, porquê a senhora nunca sobe pro lanche?
-Porque geralmente tem coisas com carne e eu sou vegetariana.
-É mesmo? Eu sou de Áries! E a minha mãe é balança!


Conheci um menino de seis anos muito esperto e que não é meu aluno.
-Muito prazer, eu sou a professora de teatro.
-Mas eu já te conheço.
-É? Da onde?
-Eu te ouvi dando uma bronca na sala ao lado.
...


-Sôra, é verdade que anão, quando ataca, morde no pescoço?

-Cuidado! Tu acabaste de bater o colchonete no rosto da colega.
-Não sôra, eu não bati o cotonete.
-Não bateste o quê?
-O cotonete, sôra!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

tanto...

ainda estou me recuperando do acontecido dessa semana.
na segunda uma amiga e colega me ligou avisando do falecimento de um ex-aluno. eu havia pensado nele no domingo! lembrando da última vez que o vi.
minha primeira reação foi pensar no que ele havia se metido pra morrer tão novinho. ele tinha 14 anos. e quando ela me respondeu que havia sido infecção generalizada, pude respirar.
ele passou o dia jogando bola e à noite se queixou de dor. a mãe o levou no postinho de saúde, onde lhe deram injeção pra dor. como não passou, foram ao hospital. lá, nenhum médico descobriu o que ele tinha e ele veio a falecer.
de infecção generalizada...
depois da tristeza inicial vem um inconformismo. o menino era super bem criado. a mãe dele se esforçava demais pra educar os três meninos. os outros dois também foram meus alunos. os três inteligentíssimos.
eu fiquei pouco no velório, mas no outro dia me arrependi de ter ido embora cedo. soube que um grande número de amigos dele esteve lá. foram juntos e juntos ficaram.
e num momento tão delicado, eu penso que não bastasse todas as distrações que podem fazer com que um menino de periferia tenha vida curta, ainda temos que lidar com as fatalidades, destinos, acasos, seja lá o que for.
e isso me foi muito marcante. tanto que não parei de falar e pensar nisso a semana toda.
tanto que não consegui escrever sobre isso antes.
tanto que hoje passei o dia com as mãos na terra, cuidando das minhas plantinhas pra tentar desopilar.
tanto que..
tanto que nada.
tanto que era isso.

sábado, 1 de maio de 2010

sacanagem

eu tenho uma turma de adolescentes maravilhosa. e a gente consegue se tratar com muito bom humor. entre muitas brincadeirinhas e deboches, eu fiz uma piadinha com um dos meninos e ele me respondeu rindo que ia ter volta. tá. daí comecei um alongamento em roda e naquelas de girar o pescoço relaxei, fechei os olhos e fiquei curtindo. e ainda dando as instruções. quando abri os olhos, estavam todos paradinhos me olhando e rindo muito! me deixaram sozinha só de sacanagem. tive que rir também.
o acaso que deu muito certo. juntar adolescentes de periferia, de bairros distintos em uma mesma sala todos os dias. poderia dar muito errado, mas acabou por se tornar um dos pequenos alentos da semana. quando a aula é pra eles, já se fica feliz por antecedência.
pra compensar, uma turma de 35 meninos de 10 anos.
é assustador de início, mas até que funciona quando eles param de xingar as mães uns dos outros. mas tocante pra mim nessa semana foi quando pedi improvisações combinadas com um assunto do cotidiano deles e todas as cenas tinham atraque da polícia. nos comentários ao final das apresentações, faltou tempo pra ouvir todas as vezes em que cada um já havia sido abordado. a maioria porque estava correndo na rua.
eles têm 10 anos!
eles têm 10 anos...