terça-feira, 19 de outubro de 2010

polêmicas

e no meio a tantas discussões sobre ser a favor ou contra o aborto, fico esperando que um dos candidatos à presidência perceba que o que falta não é o posicionamento, mas uma proposta de educação sexual para crianças e adolescentes.
em conversas com colegas, percebo o quanto cada um se sente quase aliviado quando é questionado sobre o assunto, pois pode prestar algum tipo de esclarecimento. mas mesmo assim, fica faltando um aprofundamento! e isso que é projeto social.
na escola é ainda pior a escassez de informação.
quando se responde perguntas a meninas de quinze anos que querem saber se engolir esperma engravida, ou escuta um relato da menina que quer muito ir ao ginecologista mas se fizer isso apanha em casa, ou dos meninos que querem saber se a relação sexual sempre é dolorida pra mulher, a gente percebe o quanto de informação ainda falta... 
quando se tem acesso à informação, já se tem muita coisa.
 e  a educação é  fundamental nesse processo.
portanto senhores, continuo aguardando as propostas concretas em relação à educação. nos 45 do segundo, mas continuo aguardando.
(totalmente consciente de estar fazendo a minha parte. e com muito orgulho disso.)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

encontro

outro dia peguei um ônibus onde encontrei um ex-aluno. no meio da conversa, me conta que tava indo pra aula de teatro, que conseguiu uma vaga falando direto com o diretor que tava dando o curso, que o conheceu na aula de circo que, pra chegar nela, sai de casa às 5h30min da manhã. que por causa disso dorme pouco e que isso talvez estivesse influenciando na altura dele (me explicou que tem tamanho de 11, mas já tem 12!) mas que amava tanto as aulas que não deixaria de fazer esse sacrifício por nada! por nada! e que sabia que só seria feliz se fizesse arte na vida. teatro ou circo. ou as duas coisas juntas, né? existe, né, sôra?
sempre invejei as pessoas que desde tão cedo têm tanta certeza na vida, mesmo que mudem de ideia depois. mas a conversa foi de uma maturidade..
tão lindo...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

a gente vai ficar assistindo a tv apagada?
não, a gente vai ligar e pôr o filme.
mas se eu quiser eu posso assistir de olhos fechados?

um carinho








domingo, 19 de setembro de 2010

mais pérolas (ou: pra beta não desistir de me ler)

uma das minhas turmas é campeã de bulling (por mais batido que esteja esse termo, ele é real) e, dentre tantas coisas que escuto, tem algumas que me surpreendem pela criatividade.
há poucos dias, intermediei uma desavença entre os meninos porque dois deles chamavam um terceiro de hot dog. este, ficou furioso e queria partir pra cima dos outros dois. quando perguntei o que significava ser chamado assim, os dois, tranquilamente, explicaram que era por causa do tênis dele, que era gordinho (tipo de skatista). o menino ficou confuso, já não tinha certeza se aquilo era ofensa, até que terminou por rir da situação. (mas não usou mais o tênis...)

e numa troca de ofensas entre amigos 
-e tu hein, seu côco de cocumelo!
-pior tu ô fava de baumilha!
os dois: - hahahahaha

-bah, olha a fumaça que tá lá no morro. acho que tem alguma coisa pegando fogo.
-que nada. isso é serração.
-que ração o que meu! nem sabe do que tá falando.

sabia que eu sou arquiteta?
ah é? arquiteta?
ahã
e o que tu faz como arquiteta?
eu estudo
estuda o quê?
lá no curso
e o que tu aprende nesse curso?
a fazer uns colares e pulseiras e brincos...

sábado, 7 de agosto de 2010

sôra, agente pode hoje mudar de sala e ir pra brinquedoteca que tá vazia? bah, não vai dar. na sala eu explico o porque pra todos. ah, não. prefiro não saber. ué... tu não quer saber o motivo? é que daí a senhora vai explicar e todo mundo vai ficar levantando o dedo pra dar opinião e a gente vai demorar horas pra começar a aula. prefiro não saber mesmo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

QUAL A DIFERENÇA ENTRE EDUCAÇÃO FORMAL E INFORMAL?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

dá pra acreditar?

um casal caminhando na rua quando, na esquina, vê um cara com uma moto que gritava com uma mulher. no meio da discussão, o cara segura a mulher pelo pescoço e a agride. o casal pega o telefone e liga pra polícia.
alô. posso ajudá-lo? eu tô aqui na rua B. mais ou menos na altura do n. 230 e tem um cara agredindo uma mulher. o senhor é quem? um transeunte. mas o senhor é parente da vítima? não minha senhora. eu só to passando pelo local. então o senhor não conhece nenhum dos dois. não não conheço. e o homem em questão está fazendo o que mesmo? está agredindo uma mulher. o senhor poderia repetir o endereço por favor? rua b. mais ou menos na altura do n.230. mas se a senhora puder agilizar... é que eu já andei uma quadra e nem imagino o que pode estar acontecendo agora. o senhor não está satisfeito com o atendimento senhor? não é isso, é que esse número é pra emergência... se o senhor não estiver satisfeito, tome suas próprias providências! eu estou tomando. tô ligando pra polícia. não é isso que eu deveria fazer? alô? alô? alô!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

medicação

há duas semanas atrás um aluno meu da escola particular deixou de frequentar a escola.
fui me informar sobre o que teria acontecido com o menino.
ele tentou suicídio.
eu já sabia que ele tem síndrome do pânico, ir à escola diariamente já é um grande desafio, mas nunca passaria pela minha cabeça que um menino de dez anos tentaria suicídio...
na adolescência é normal pensar nisso, mas fazer é outra história.
ele, além de ser criança ainda, pensou e fez. agora, finalmente, os pais se convenceram de que ele precisa de medicação.
perguntei de uma outra menina, que é muito introspectiva e apresenta algumas dificuldades pra se relacionar com os colegas.
chega sempre atrasada também.
tá.
os pais estão separados, a mãe consumidora de crack, o pai alcoólatra, brigam pela guarda dela.
a mãe se apaixonou por um traficante e a menina agora mora com ela e o novo padrasto no "local de trabalho" dele.
foi um baque pra mim.
depois de um tempo trabalhando só na periferia, eu tendia a achar que esse tipo de problema ficava lá.
na periferia esses casos são maioria, na classe média não. mas estão lá.
aprendo muito trabalhando com um novo público.
tenho colegas excelentes que me auxiliam quando preciso.
e tenho turmas que já são motivadas.
eu mal entro na sala e todos estão eufóricos pela aula que está por vir.
com isso ainda não acostumei, fico um pouco desconfiada...
nas comunidades em situação de risco social o desgaste é muito maior.
têm-se que motivar, estimular, pressionar, dialogar, brigar e, ufa, daí dar aula.
no primeiro caso o professor vai tranquilo pra casa. leve, rindo sozinho.
no segundo caso, vai cansado. às vezes exausto. outras vezes com enxaqueca, só pensando no momento daquele bom banho. e que ele leve pelo ralo todas as pressões do dia.
eu adoro o primeiro, de verdade.
mas o segundo...
me desafia.
me fascina.
me exige.
é.
talvez eu também esteja precisando de medicação.

sábado, 19 de junho de 2010

Copa II

Quinta-feira, dia de ensaio geral com três turmas que irão participar de uma apresentação elaborada pelas professoras de dança, capoeira, teatro e música.
Tem público pra assistir e os meninos que estão comigo se mostram muito nervosos. Alguns querem desistir, outros me olham sem saber bem como reagir, outros só tremem. E, claro, sempre tem os que adoram.
Passado o susto inicial, todos vencem seus medos e vão em frente. Eu, claro, morro de orgulho.
No dia seguinte, dentro da programação especial da Copa, tem campeonato de embaixadinha.
Com platéia!

os meninos, depois de participarem, me dizem que a experiência tinha sido como no dia anterior, e que os dois momentos se assemelhavam a pular numa piscina com água bem gelada: deixava qualquer um tremendo!

Copa I

e as crianças me mostrando seus bloquinhos com os placares dos jogos.
todas começam a dizer que torcem para a África do Sul vencer a Copa.
Quando eu pergunto porque, respondem que eles são tão legais..
E deveriam ter a chance de erguer uma taça, algo que eles nunca fizeram...

terça-feira, 8 de junho de 2010

reformas

tenho ouvido muitas coisas sobre a proposta de gratificação para bons professores ultimamente.
mas de tudo que a envolve, me chama atenção o quanto os professores ficam indignados com a possibilidade de serem avaliados.
tenho minhas dúvidas quanto a proposta, mas definitivamente gostaria muito que o aluno tivesse direito de avaliar seu professor. se faz isso na escola particular, porque não fazer na escola pública?
daí uma professora escreveu ao jornal que isso só poderia acontecer depois que as escolas tivessem toda a infra necessária para oferecer qualidade. como assim? vez por outra se noticia escolas em condições precárias, que nem escolas são, mas tem lá um professor querendo fazer seu trabalho.
numa escola que trabalhei me impressionava a rejeição que uma professora de matemática sofria.
sério.
faziam horrores com ela.
toda semana a direção era chamada pra conversar com alguma turma sobre o relacionamento com ela.
isso acontecia em todas as turmas que ela dava aula.
eu só não entendo como essa professora conseguia continuar dando aula.
nas poucas vezes em que conversamos, era claro que, na visão dela, o problema estava com os alunos, que não a respeitavam e tal. todos os mais de duzentos alunos.
uma vez, timidamente, cheguei a sugerir que fizesse novas propostas, mas ela respondeu que eles não iriam aceitar, que não tinham capacidade pra isso.
tá.
daí dentre tantos alunos, eu tinha uma em particular que declarou guerra pessoal a ela e passava todas as aulas de braços cruzados se recusando a copiar ou fazer qualquer coisa que a professora pedisse.
chamei de canto, tentei explicar que quem saía perdendo era a aluna, que isso faria com que ela repetisse de série e ficasse mais um ano com a professora. ela não se importou. disse que talvez fosse a única maneira da professora perceber o trabalho horrível que estava fazendo.
não teve jeito. e ela rodou.
então, essa professora tem que ganhar os mesmos benefícios de outros que continuam correndo atrás de novas idéias e tecnologias pra tentar manter o interesse dos alunos em aprender?
e no meio de tanta coisa a discutir, uma reportagem sobre os países que são modelo em educação.
aparece em primeiríssimo lugar a Finlândia, que investe mais de 15% do orçamento do país em educação.
na mesma semana, anúncio de corte de 1,3 bilhão na educação do nosso país...

sábado, 29 de maio de 2010

puzzles

Eu ainda não sei de muita coisa.
Sendo otimista, ainda estou no primeiro terço da minha vida, portanto, ainda tenho muito a aprender.
Mas se tem algo que já aprendi é que quando se trabalha com educação, se a equipe não fizer uns pelos outros, afunda. A equipe é todo mundo que trabalha no mesmo espaço, não só professores.
Se as pessoas passam a duvidar ao invés de ouvir, cobrar ao invés de somar, espiar ao invés de olhar, o barco afunda mesmo. E o pior: reflete no atendimento aos educandos. Um professor que vive esse tipo de situação passa a trabalhar com uma pressão maior ainda e isso reflete nas ações em sala.
Se tu não conheces o trabalho do outro, pergunta, ora bolas! Mas a solução mais fácil parece ser tentar disfarçar a ignorância pra não perder a pose. Isso me cansa de uma tal maneira que desanima.
Me faz lembrar de quando morávamos todos juntos, pai, mãe, e quatro filhos. A mãe tinha o desejo de um dia montar aqueles quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças e a mesa da sala de jantar ficava ocupada por muito tempo.
Às vezes (nas vezes mais divertidas) juntava todo mundo na volta da mesa. Virava bagunça, é óbvio.
A gente nunca conseguiu montar um inteiro.
As peças sempre sumiam.
Aliás, em casa com muita gente sempre some muita coisa, umas de propósito (como da vez em que os irmãos se uniram pra sumir com uma roupa da mãe que a gente achava horrível) outras sem querer.
O fato é que ninguém tinha interesse em sumir com as pecinhas, mas elas desapareciam. Talvez na educação seja um pouco assim, todos tentam fazer o seu melhor, mas algumas peças simplesmente não encaixam, pois não estão lá.
Mas tá.
Naquela época (em que ainda morava todo mundo junto) eu fui na casa de uma amiga e tava lá! Bem exibido na parede, um quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças todo montado!
E nesse dia eu aprendi que sim, é muito difícil, mas também não é impossível.
Eu ainda sigo tentando montar os meus, mas às vezes preciso ficar um pouco longe deles, se não eu não agüento.
Hoje tá assim.
Não quero, não quero e não quero brincar. Então não vou descer pro play! (ouvi isso a semana toda de uma pessoa que gosto muito. Não resisti, tive que usar)
Pelo menos hoje.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Improvisação

Improvisação combinada.
um dos grupos faz uma história de um menino que acha uma lâmpada mágica que lhe dá direito a fazer três pedidos.
Eu, claro, já imaginei quais seriam.
Quando a cena segue sou surpreendida ao perceber que o primeiro deles é um carrinho com controle remoto.
O segundo é que abrisse sol pra que ele pudesse brincar fora de casa.
O terceiro, um presente pra ele poder dar de dia das mães, já que ele ficou devendo na data.
E o ser humano sempre com a mania de achar que sabe das necessidades do outro..

sexta-feira, 21 de maio de 2010

na brinquedoteca

falando sobre futebol a professora pergunta porque o Dunga pode chamar os jogadores que ele quer pra ir pra copa, ao que eles respondem "mas ele é o presidente do brasil, ele pode" mas se ele é o presidente do brasil, quem é o lula? "o presidente dos estados unidos, né?"

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ai..ai..

dia pieguíssimo.
tudo lindo.
tão lindo que enjoa.
hoje a prof de dança e eu reunimos nossas turmas numa sala só em quase todos os períodos. embora com o dobro de alunos, a gente se diverte muito mais.
eles eu não tenho bem certeza, mas a gente dá muita risada e fala muita coisa que, de novo, não tenho certeza se eles entendem. mas se esforçam!
e isso tem um resultado surpreendente. todas as vezes em que nos juntamos os alunos ficam com os olhos e ouvidos mais atentos.
talvez pela novidade.
talvez pelo nosso humor meio escrachado.
não sei.
e quando sobra um tempinho, a gente ainda consegue enriquecer nosso olhar sobre eles.
conduzi um relaxamento com música, um espreguiçar e ela um super alongamento.
depois conversando, me conta uma história linda sobre um dia em que ela fez um trabalho semelhante com os pequenos e colocou uma música infantil de uma boneca que é esquecida e uma das crianças chorou muito com pena da boneca.
e eu tive que contar de um aluno, que é daquele tipo disperso, que a gente nunca sabe se está ouvindo o que se diz, que comentou que o horário que ele mais gostava de ir pro ginásio era de tarde, porque o sol deixava tudo laranja e ficava lindo.
e mais um outro menino que conseguiu refletir sobre se devia ou não pedir desculpas.
e a menina de 14 anos que tentou ensinar um menino de 9 a dançar (isso não acontece com frequência nessa idade)
e mais um bando de meninos que se abraçou com verdade no final de um exercício (isso, com certeza, é raridade)
e mais um monte de abraços que eu ganhei.
eu avisei lá no início.
piegas.
pieguíssimo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Pérolas da semana



-Sôra, porquê a senhora nunca sobe pro lanche?
-Porque geralmente tem coisas com carne e eu sou vegetariana.
-É mesmo? Eu sou de Áries! E a minha mãe é balança!


Conheci um menino de seis anos muito esperto e que não é meu aluno.
-Muito prazer, eu sou a professora de teatro.
-Mas eu já te conheço.
-É? Da onde?
-Eu te ouvi dando uma bronca na sala ao lado.
...


-Sôra, é verdade que anão, quando ataca, morde no pescoço?

-Cuidado! Tu acabaste de bater o colchonete no rosto da colega.
-Não sôra, eu não bati o cotonete.
-Não bateste o quê?
-O cotonete, sôra!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

tanto...

ainda estou me recuperando do acontecido dessa semana.
na segunda uma amiga e colega me ligou avisando do falecimento de um ex-aluno. eu havia pensado nele no domingo! lembrando da última vez que o vi.
minha primeira reação foi pensar no que ele havia se metido pra morrer tão novinho. ele tinha 14 anos. e quando ela me respondeu que havia sido infecção generalizada, pude respirar.
ele passou o dia jogando bola e à noite se queixou de dor. a mãe o levou no postinho de saúde, onde lhe deram injeção pra dor. como não passou, foram ao hospital. lá, nenhum médico descobriu o que ele tinha e ele veio a falecer.
de infecção generalizada...
depois da tristeza inicial vem um inconformismo. o menino era super bem criado. a mãe dele se esforçava demais pra educar os três meninos. os outros dois também foram meus alunos. os três inteligentíssimos.
eu fiquei pouco no velório, mas no outro dia me arrependi de ter ido embora cedo. soube que um grande número de amigos dele esteve lá. foram juntos e juntos ficaram.
e num momento tão delicado, eu penso que não bastasse todas as distrações que podem fazer com que um menino de periferia tenha vida curta, ainda temos que lidar com as fatalidades, destinos, acasos, seja lá o que for.
e isso me foi muito marcante. tanto que não parei de falar e pensar nisso a semana toda.
tanto que não consegui escrever sobre isso antes.
tanto que hoje passei o dia com as mãos na terra, cuidando das minhas plantinhas pra tentar desopilar.
tanto que..
tanto que nada.
tanto que era isso.

sábado, 1 de maio de 2010

sacanagem

eu tenho uma turma de adolescentes maravilhosa. e a gente consegue se tratar com muito bom humor. entre muitas brincadeirinhas e deboches, eu fiz uma piadinha com um dos meninos e ele me respondeu rindo que ia ter volta. tá. daí comecei um alongamento em roda e naquelas de girar o pescoço relaxei, fechei os olhos e fiquei curtindo. e ainda dando as instruções. quando abri os olhos, estavam todos paradinhos me olhando e rindo muito! me deixaram sozinha só de sacanagem. tive que rir também.
o acaso que deu muito certo. juntar adolescentes de periferia, de bairros distintos em uma mesma sala todos os dias. poderia dar muito errado, mas acabou por se tornar um dos pequenos alentos da semana. quando a aula é pra eles, já se fica feliz por antecedência.
pra compensar, uma turma de 35 meninos de 10 anos.
é assustador de início, mas até que funciona quando eles param de xingar as mães uns dos outros. mas tocante pra mim nessa semana foi quando pedi improvisações combinadas com um assunto do cotidiano deles e todas as cenas tinham atraque da polícia. nos comentários ao final das apresentações, faltou tempo pra ouvir todas as vezes em que cada um já havia sido abordado. a maioria porque estava correndo na rua.
eles têm 10 anos!
eles têm 10 anos...

segunda-feira, 26 de abril de 2010







avô

Hoje o aniversário é meu, e eu adoro meu aniversário (mesmo que, depois de uma certa idade, a gente aproveite essa época pra pensar que o tempo tá passando...) mas eu ainda estou com as lembranças do dia de ontem pulsando em mim. É que comemoramos os 90 anos do vô.
Todos da família que puderam ir estavam lá. Isso por si só já é uma festa, porque a família é grande, portanto, nada melhor que grandes comemorações pra juntar o familhão. Que sabe fazer bastante barulho quando juntos. E se beijar muito, e se abraçar muito, e rir muito. Claro que também sabem fazer muitas perguntas sobre a vida alheia, e opinar também sobre a vida alheia. Como toda família. Mas ontem foi tão especial...
O lugar escolhido pro almoço é lindo! Incrustado em um belíssimo cenário natural da serra. E o motivo não poderia ser melhor. O vô tava de uma tal maneira emocionado como nunca nem eu nem várias outras pessoas presentes havíamos visto.
E tanta gente discursou em homenagem a ele, e tanta gente chorou pensando no amor imenso que sentia por ele... Ele é um grande homem, além de ter conseguido o que a maioria da população masculina não consegue: chegar aos 90. E bem. Ele sempre teve seus discursos aguardados, pois tem o dom da fala. E o faz com maestria. E não é só o que ele diz, é como diz, o tom de voz, o olhar.
Mas ontem, além de tudo o que eu já disse, ele citou a grande emoção que foi pra ele ter abençoado a minha união com o Paulo. Eu nunca poderia imaginar que ele fosse dizer isso. Há uns dois anos atrás, quando o convidamos, eu não tinha muita certeza se ele iria aceitar. E quando ele aceitou e disse que faria com prazer, ainda ficamos com a dúvida se ele entendia o significado que aquilo tinha pra gente. E ontem, quando ele falou sobre isso, eu descobri! E foi tão lindo saber o quanto ele valorizou nosso convite...
E quando eu discursei (sim, eu discursei) tenho certeza que não consegui deixar claro o quanto me sentia honrada com a fala dele. Tive que falar ao pé do ouvido depois. E fiquei refletindo sobre as referências educacionais que se tem ao longo da vida. E que na maioria das vezes em que estive com meu avô ele estava ou lendo, ou ouvindo as notícias. E, hoje, vendo Malhação, por mais estranho que isso possa parecer. Mas eu sempre soube que quando ele resolve falar, há de se prestar atenção. É sempre pra relembrar algo marcante na vida dele ou pra ensinar alguma coisa. Um parêntese pras piadinhas que só ele ri. Não acontece com freqüência, mas existem algumas clássicas.
Mas eu queria mesmo é que, além de todas as vaidades que ele tem de ter conquistado tudo o que conquistou, de ter uma família linda, de estar sempre impecável e cheiroso, de ser Grão-Mestre, de todas as colaborações sociais que fez ao longo da vida, de agüentar a minha vó (só quem conhece pra saber que não é fácil) que ele soubesse que também foi professor. Professor que eu tenho a honra de ter. Porque por mais que essa função seja desvalorizada, eu acho que ensinar é uma honra. Mas não ensinar de qualquer jeito. Eu falo aqui do prazer de compartilhar informação, da generosidade deste compartilhar. São as presenças como a dele que me fazer ter orgulho do ofício que exerço e que renovam minha crença na educação e no ser humano. Obrigada vô. Obrigada por tudo. Sempre.

terça-feira, 20 de abril de 2010

aluno novo. 15 ou 16 anos, não lembro. chegou mais cedo e conversávamos um pouco sobre ele quando me contou que tomou durante muitos anos um medicamento pra epilepsia. "não toma mais?" "não. a minha mãe me curou com a força da fé" "Ãhn?" "ela colocava um copo com água em cima do rádio todo dia na hora das orações e depois me dava pra beber essa água" "e tu acreditas que isso tenha te curado.." "nunca mais eu tive convulsões. e agora eu lembro da minha vida. eu não lembro de nada do período em que eu tomava remédio. não lembro nada da minha vida até os 7 anos. vivia numa cadeira de rodas sem nem falar direito." "tu vê, com a força da fé..." foi tudo o que consegui dizer. ele é um pouco arredio nas relações com os outros. sempre de canto. mas toda vez que tenho oportunidade de conversar com ele, percebo que é muito inteligente e observador. nessa semana teve um ataque de fúria quando eu propus um jogo em que todos teriam que se dar as mãos. gritava que não dava a mão nem pra mãe dele. como convivo com ele há pouco tempo, não sabia bem o que esperar dessa fúria toda. podia parar por ali, podia não parar. tentei não dar muita importância e disse que tudo bem, não quer, não faz. assim que completei a explicação do jogo, mal começamos a executá-lo e ele estava lá. bem feliz, de mãos dadas com os colegas. naõ comentei. pra minha sorte, os colegas também não. e ele ficou lá, rindo e se divertindo com os outros por mais de 1h. Tu vê, com a força da minha fé... :)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

eu trabalho em dois universos distintos. um na perifa, onde acostumei a ter com meus alunos a preocupação que a maioria não tem em casa. eles se viram sozinhos, são quase independentes, mas adoram atenção. daí eu chego pra dar aula em uma escola de ensino privado e, no outro dia, sou chamada porque uma mãe ligou reclamando que seu filho não tinha gostado do grupo em que ficou na aula de teatro. como assim!?! e perguntei se não tinha ocorrido a essa mãe incentivar o filho a conversar diretamente comigo e defender seu ponto de vista. a coordenadora pedagógica disse que isso era uma sugestão muito delicada pra se fazer por telefone. tá. dentre tantas batalhas, pensei que essa talvez não valesse a pena. mas é absurdo pensar que, de um lado, pessoas que não têm voz por uma série de desigualdades e, por outro, pessoas criadas para não utilizarem a voz que tem. são os bundões da nossa querida classe média, aqueles que tentam todos os dias, desesperadamente, ficar o mais longe possível do que desconhecem...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

daltônico

Hoje eu fiz um jogo com meus alunos de 10 e 11 anos em que eles podiam se comunicar através de cores(??) e um menino disse pra sua colega "vai! tua blusa é azul" ao que ela respondeu " isso é verde seu daltônico". Depois de alguns segundos olhando pro nada o menino disse "se tu pensas que eu fiquei ofendido, tu estás muito enganada, porque eu nem sei o que significa essa palavra".

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O rosto arde em meio à multidão que sussurra sem estribos
O tempo não é meu aliado
Roubo sonhos de quem me rodeia.