eu trabalho em dois universos distintos. um na perifa, onde acostumei a ter com meus alunos a preocupação que a maioria não tem em casa. eles se viram sozinhos, são quase independentes, mas adoram atenção. daí eu chego pra dar aula em uma escola de ensino privado e, no outro dia, sou chamada porque uma mãe ligou reclamando que seu filho não tinha gostado do grupo em que ficou na aula de teatro. como assim!?! e perguntei se não tinha ocorrido a essa mãe incentivar o filho a conversar diretamente comigo e defender seu ponto de vista. a coordenadora pedagógica disse que isso era uma sugestão muito delicada pra se fazer por telefone. tá. dentre tantas batalhas, pensei que essa talvez não valesse a pena. mas é absurdo pensar que, de um lado, pessoas que não têm voz por uma série de desigualdades e, por outro, pessoas criadas para não utilizarem a voz que tem. são os bundões da nossa querida classe média, aqueles que tentam todos os dias, desesperadamente, ficar o mais longe possível do que desconhecem...
Queria escrever um comentário complexo, mas simplesmente não consigo... nem sei o que escrever diante disso. São coisas assim que me fazem não ter fé nesse país. É triste, eu sei, mas não consigo mais aceitar esse discurso de que "o Brasil é o país do futuro"...
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