segunda-feira, 26 de abril de 2010

avô

Hoje o aniversário é meu, e eu adoro meu aniversário (mesmo que, depois de uma certa idade, a gente aproveite essa época pra pensar que o tempo tá passando...) mas eu ainda estou com as lembranças do dia de ontem pulsando em mim. É que comemoramos os 90 anos do vô.
Todos da família que puderam ir estavam lá. Isso por si só já é uma festa, porque a família é grande, portanto, nada melhor que grandes comemorações pra juntar o familhão. Que sabe fazer bastante barulho quando juntos. E se beijar muito, e se abraçar muito, e rir muito. Claro que também sabem fazer muitas perguntas sobre a vida alheia, e opinar também sobre a vida alheia. Como toda família. Mas ontem foi tão especial...
O lugar escolhido pro almoço é lindo! Incrustado em um belíssimo cenário natural da serra. E o motivo não poderia ser melhor. O vô tava de uma tal maneira emocionado como nunca nem eu nem várias outras pessoas presentes havíamos visto.
E tanta gente discursou em homenagem a ele, e tanta gente chorou pensando no amor imenso que sentia por ele... Ele é um grande homem, além de ter conseguido o que a maioria da população masculina não consegue: chegar aos 90. E bem. Ele sempre teve seus discursos aguardados, pois tem o dom da fala. E o faz com maestria. E não é só o que ele diz, é como diz, o tom de voz, o olhar.
Mas ontem, além de tudo o que eu já disse, ele citou a grande emoção que foi pra ele ter abençoado a minha união com o Paulo. Eu nunca poderia imaginar que ele fosse dizer isso. Há uns dois anos atrás, quando o convidamos, eu não tinha muita certeza se ele iria aceitar. E quando ele aceitou e disse que faria com prazer, ainda ficamos com a dúvida se ele entendia o significado que aquilo tinha pra gente. E ontem, quando ele falou sobre isso, eu descobri! E foi tão lindo saber o quanto ele valorizou nosso convite...
E quando eu discursei (sim, eu discursei) tenho certeza que não consegui deixar claro o quanto me sentia honrada com a fala dele. Tive que falar ao pé do ouvido depois. E fiquei refletindo sobre as referências educacionais que se tem ao longo da vida. E que na maioria das vezes em que estive com meu avô ele estava ou lendo, ou ouvindo as notícias. E, hoje, vendo Malhação, por mais estranho que isso possa parecer. Mas eu sempre soube que quando ele resolve falar, há de se prestar atenção. É sempre pra relembrar algo marcante na vida dele ou pra ensinar alguma coisa. Um parêntese pras piadinhas que só ele ri. Não acontece com freqüência, mas existem algumas clássicas.
Mas eu queria mesmo é que, além de todas as vaidades que ele tem de ter conquistado tudo o que conquistou, de ter uma família linda, de estar sempre impecável e cheiroso, de ser Grão-Mestre, de todas as colaborações sociais que fez ao longo da vida, de agüentar a minha vó (só quem conhece pra saber que não é fácil) que ele soubesse que também foi professor. Professor que eu tenho a honra de ter. Porque por mais que essa função seja desvalorizada, eu acho que ensinar é uma honra. Mas não ensinar de qualquer jeito. Eu falo aqui do prazer de compartilhar informação, da generosidade deste compartilhar. São as presenças como a dele que me fazer ter orgulho do ofício que exerço e que renovam minha crença na educação e no ser humano. Obrigada vô. Obrigada por tudo. Sempre.

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