hoje fui conhecer duas novas escolas em que vou trabalhar. a primeria é num bairro que eu não fazia ideia de como era. perto do presídio central, nunca nem tinha ouvido falar nada de lá. pois o lugar é lindo! no pé de um morro, a vista é inacreditável. o segundo, passo pelo guaíba pra chegar. (suspiro) eu já morei perto do gasômetro e sempre gostei do visual que se tem lá, mas vou ter que fazer jus... o guaíba visto da zona sul é muito, mas muito mais lindo! talvez porque me lembre o Laranjal e sua lagoa dos Patos, dos sonhos dos barcos, onde morei e fui tão feliz. e fui feliz ao chegar na escola também. aliás, nas duas. dá pra sentir que se começa com o pé direito quando se é bem recebida. pessoal amável mas bem diferente num lugar e outro. e me jogo de novo na descoberta do outro, dos outros. (que eu adoro!). quer saber? eu gosto mesmo é de conhecer pessoas. e aprender com elas. prato cheio hoje. e nos próximos dias. depois vai requintando, aprofundando... delicinha. aham!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
voltei!
eu voltei! voltei a trabalhar numa escola na perifa. eu já tinha passado por lá em 2009 e agora estou de volta. a primeira impressão foi impactante. depois de dois anos, continua tudo igual. mudou direção, mudaram professores, acrescentaram atividades, mas a gurizada ainda tava lá berrando, se ofendendo, se agredindo. vou trabalhar com dois grupos diferentes e felizmente adorei os alunos. agora recomeça o trabalho. recomeça a cobrança das regras de convívio, recomeçam as expectativas, recomeça o aprendizado. deles e meu. saí de lá felizinha, conversei com quem pude, abracei velhos conhecidos com quem compartilho ideologias, interagi o que deu com a comunidade. ô gente que tem história pra contar. ô eu, que adoro ouvir.
sábado, 1 de janeiro de 2011
faz um ano que escrevi esse texto. e ainda diz muito de mim...
Eu fiz escolhas difíceis. Tão difíceis que na maioria das vezes em que paro pra pensar, não sei porque as fiz.
Meu trabalho é foda. é foda e me cansa.
Eu vejo tanta dor, tanta merda, que me sinto sedada emocionalmente. Se não, eu piro.
Eu não preciso ter sido abusada, escorraçada, mal amada, indesejada, humilhada. Eu vejo a conseqüência desse tipo de tratamento todo dia ser jogada na minha cara.
Eu respeito imensamente todas as pessoas que fizeram as mesmas escolhas, mas não entendo.
Não entendo a elas, não entendo a mim.
A probabilidade de algo dar certo é tão pequena, mas tão pequena que quase desanima. Não se opera na prevenção do problema, se opera na minimização das conseqüências.
Eu tento levar ludicidade a quem é espancado, abusado, mal tratado, ignorado, desrespeitado. Antes disso, tenho que lembrar regras de civilidade que tantos não têm. Sem exageros, em algumas crianças é possível ver o olhar quase animalesco de quem não vive como ser humano nem é tratado como um.
Eu vejo todos os dias a realidade que a mídia tenta esconder das classes mais elevadas. Eu lido com a dor de ver uma criança que eu gosto muito sofrer pelo pai que foi embora. Com a dor de saber que um adolescente eu que apostei todas as fichas foi levado para a FASE por três assassinatos. Com a dor de ouvir o relato mais sincero e ingênuo da filha que entende porque tem que ficar no abrigo, já que a mãe não consegue se livrar do uso da pedra. Com a dor de ver uma criança passando mal porque a última refeição que fez foi há 24hs atrás. Com o menino de cabelo estático pela falta de água. Com os abraços mal cheirosos pela falta de higiene.
Eu vejo a falta de informação num mundo tão bem informado como o de hoje.
Eu vejo a ausência de amor. Eu vejo a ausência de amor...
E tudo que vejo fica em mim. Passa a fazer parte de mim. E tento, com toda a força que tenho, e que sei que é monstruosa, esconder daqueles que eu amo. Eu tenho uma sombra no meu peito. Que me dói e encobre o que tenho de melhor. Eu vejo um mundo tão injusto, tão feio e tão sujo e tão indigno e desumano que me corrói inteira.
E isso tem afetado o meu dia-a-dia de uma tal maneira que não sei mais como controlar. Reservo meus assuntos mais íntimos para aqueles amigos realmente próximos. Agora, toda vez que um amigo se aproxima, eu fico apavorada, por que acho que desaprendi a partilhar.
Me sinto tão mesquinha ao reclamar de qualquer coisa que seja.. eu tenho problemas? Que problemas, meu Deus?
Mas ainda gosto de ouvir. É um dos prazeres que mantenho.
Ando um pouco cansada de tanta realidade, de tanta dureza, de perceber que tudo isso passou a ser natural.
Me desapeguei de tanta coisa, e me apeguei a outras pra me manter na minha vida.
Me apego ao passado, aos bons momentos que vivi, que me diverti e dei muita risada. Às vezes em que pude contar com bons amigos que me fazem sorrir ainda hoje quando lembro deles. Das vezes em que minha maior preocupação era onde eu iria fazer festa quando a noite chegasse, ou quando o melhor assunto que se tinha era um filme maravilhoso que havia passado numa sessão do “raros”, ou de um livro – oba! Fui a primeira a ler – que passou de mão em mão até que todos pudessem dar suas opiniões mais intelectualizadas quanto o conhecimento permitia. De quando tudo levava a um bom motivo pra tomar um vinho. Se bem que até hoje tudo sempre leve a um bom motivo pra tomar um vinho.. De quando eu tinha que ver todos os espetáculos, todas as exposições, filmes, eventos culturais importantes. De quando a experiência estética era um prazer absoluto.
Eu me apego ao futuro. Consigo me enxergar daqui a dez, vinte, trinta, quarenta anos. Me vejo bem. Tranqüila. Com muito mais sabedoria de vida do que de teorias. Vejo alguns amigos que tenho certeza que ainda vão estar na minha vida. Outros que vão surgir. Minha família bem. Com meu marido. Meus irmãos e meus pais. Eu não consigo acreditar na falta d’água. Na verdade eu tenho sérias dificuldades em pensar nisso... (mas não desperdiço. Vai saber, né? Se bem que tem coisa melhor que um banho demorado?) e espero que as próximas gerações não sejam tão preocupadas com a aparência e convivam de maneira respeitosa com as diferenças. E todo esse blá, blá, blá que parece papinho pra comover em final de ano é só pra me lembrar do meu presente. Que hoje ta difícil de administrar. Por que meu trabalho todo diz respeito a esse futuro. Eu tento hoje fazer com que o adulto de amanhã tenha mais opções na vida. Mas que porra de pretensão é essa? O que é que eu sei sobre isso?
E quando eu penso nisso, meu olhar se nubla e deixa escorrer pela face todo o peso que eu carrego dessa realidade absurda. Que eu carrego na minha alma, e que passei a carregar no meu corpo. É isso que me faz chorar sem motivo aparente quando estou sozinha. Que me faz não atender o telefone se não estou disposta.
Que me faz depositar toda a minha energia num amor. Um amor regado e cuidado. Que faz bem. Que agüenta todas as alterações de humor que uma “mulherzinha” pode ter. Que não entende muito tudo o que passa em mim, mas mesmo assim não desiste.
E se eu não fosse tão relapsa, eu estendia esse amor pra todo mundo. E praqueles que eu já amo, eu deixaria mais claro. Porque às vezes, meu peito aperta tanto que tenho vontade de gritar o quanto as pessoas me são importantes. Mas me sinto tão sem energia que tudo que consigo fazer é ficar quietinha pra tentar encontrar o equilíbrio e não assustar ninguém.
Como uma típica representante do elemento terra, sempre consigo colocar a razão à frente de tudo. Observando, justificando. Mas essa água toda que vez ou outra vem à tona acaba comigo. E me deixa de uma tal maneira sentimentalóide que nem eu me agüento. E com muita vontade de, num suspiro longo e sentido, jogar pro universo toda essa responsabilidade que insiste em pairar sobre os meus ombros. E poder voltar a compartilhar mais momentos de prazer, desanuviando o sol da minha alma e, pra ficar perfeito, sentindo a brisa gostosa de um dia de primavera...
terça-feira, 19 de outubro de 2010
polêmicas
e no meio a tantas discussões sobre ser a favor ou contra o aborto, fico esperando que um dos candidatos à presidência perceba que o que falta não é o posicionamento, mas uma proposta de educação sexual para crianças e adolescentes.
em conversas com colegas, percebo o quanto cada um se sente quase aliviado quando é questionado sobre o assunto, pois pode prestar algum tipo de esclarecimento. mas mesmo assim, fica faltando um aprofundamento! e isso que é projeto social.
na escola é ainda pior a escassez de informação.
quando se responde perguntas a meninas de quinze anos que querem saber se engolir esperma engravida, ou escuta um relato da menina que quer muito ir ao ginecologista mas se fizer isso apanha em casa, ou dos meninos que querem saber se a relação sexual sempre é dolorida pra mulher, a gente percebe o quanto de informação ainda falta...
quando se tem acesso à informação, já se tem muita coisa.
e a educação é fundamental nesse processo.
portanto senhores, continuo aguardando as propostas concretas em relação à educação. nos 45 do segundo, mas continuo aguardando.
(totalmente consciente de estar fazendo a minha parte. e com muito orgulho disso.)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
encontro
outro dia peguei um ônibus onde encontrei um ex-aluno. no meio da conversa, me conta que tava indo pra aula de teatro, que conseguiu uma vaga falando direto com o diretor que tava dando o curso, que o conheceu na aula de circo que, pra chegar nela, sai de casa às 5h30min da manhã. que por causa disso dorme pouco e que isso talvez estivesse influenciando na altura dele (me explicou que tem tamanho de 11, mas já tem 12!) mas que amava tanto as aulas que não deixaria de fazer esse sacrifício por nada! por nada! e que sabia que só seria feliz se fizesse arte na vida. teatro ou circo. ou as duas coisas juntas, né? existe, né, sôra?
sempre invejei as pessoas que desde tão cedo têm tanta certeza na vida, mesmo que mudem de ideia depois. mas a conversa foi de uma maturidade..
tão lindo...
sempre invejei as pessoas que desde tão cedo têm tanta certeza na vida, mesmo que mudem de ideia depois. mas a conversa foi de uma maturidade..
tão lindo...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
mais pérolas (ou: pra beta não desistir de me ler)
uma das minhas turmas é campeã de bulling (por mais batido que esteja esse termo, ele é real) e, dentre tantas coisas que escuto, tem algumas que me surpreendem pela criatividade.
há poucos dias, intermediei uma desavença entre os meninos porque dois deles chamavam um terceiro de hot dog. este, ficou furioso e queria partir pra cima dos outros dois. quando perguntei o que significava ser chamado assim, os dois, tranquilamente, explicaram que era por causa do tênis dele, que era gordinho (tipo de skatista). o menino ficou confuso, já não tinha certeza se aquilo era ofensa, até que terminou por rir da situação. (mas não usou mais o tênis...)
e numa troca de ofensas entre amigos
-e tu hein, seu côco de cocumelo!
-pior tu ô fava de baumilha!
os dois: - hahahahaha
-bah, olha a fumaça que tá lá no morro. acho que tem alguma coisa pegando fogo.
-que nada. isso é serração.
-que ração o que meu! nem sabe do que tá falando.
sabia que eu sou arquiteta?
ah é? arquiteta?
ahã
e o que tu faz como arquiteta?
eu estudo
estuda o quê?
lá no curso
e o que tu aprende nesse curso?
a fazer uns colares e pulseiras e brincos...
há poucos dias, intermediei uma desavença entre os meninos porque dois deles chamavam um terceiro de hot dog. este, ficou furioso e queria partir pra cima dos outros dois. quando perguntei o que significava ser chamado assim, os dois, tranquilamente, explicaram que era por causa do tênis dele, que era gordinho (tipo de skatista). o menino ficou confuso, já não tinha certeza se aquilo era ofensa, até que terminou por rir da situação. (mas não usou mais o tênis...)
e numa troca de ofensas entre amigos
-e tu hein, seu côco de cocumelo!
-pior tu ô fava de baumilha!
os dois: - hahahahaha
-bah, olha a fumaça que tá lá no morro. acho que tem alguma coisa pegando fogo.
-que nada. isso é serração.
-que ração o que meu! nem sabe do que tá falando.
sabia que eu sou arquiteta?
ah é? arquiteta?
ahã
e o que tu faz como arquiteta?
eu estudo
estuda o quê?
lá no curso
e o que tu aprende nesse curso?
a fazer uns colares e pulseiras e brincos...
sábado, 7 de agosto de 2010
sôra, agente pode hoje mudar de sala e ir pra brinquedoteca que tá vazia? bah, não vai dar. na sala eu explico o porque pra todos. ah, não. prefiro não saber. ué... tu não quer saber o motivo? é que daí a senhora vai explicar e todo mundo vai ficar levantando o dedo pra dar opinião e a gente vai demorar horas pra começar a aula. prefiro não saber mesmo!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
dá pra acreditar?
um casal caminhando na rua quando, na esquina, vê um cara com uma moto que gritava com uma mulher. no meio da discussão, o cara segura a mulher pelo pescoço e a agride. o casal pega o telefone e liga pra polícia.
alô. posso ajudá-lo? eu tô aqui na rua B. mais ou menos na altura do n. 230 e tem um cara agredindo uma mulher. o senhor é quem? um transeunte. mas o senhor é parente da vítima? não minha senhora. eu só to passando pelo local. então o senhor não conhece nenhum dos dois. não não conheço. e o homem em questão está fazendo o que mesmo? está agredindo uma mulher. o senhor poderia repetir o endereço por favor? rua b. mais ou menos na altura do n.230. mas se a senhora puder agilizar... é que eu já andei uma quadra e nem imagino o que pode estar acontecendo agora. o senhor não está satisfeito com o atendimento senhor? não é isso, é que esse número é pra emergência... se o senhor não estiver satisfeito, tome suas próprias providências! eu estou tomando. tô ligando pra polícia. não é isso que eu deveria fazer? alô? alô? alô!
alô. posso ajudá-lo? eu tô aqui na rua B. mais ou menos na altura do n. 230 e tem um cara agredindo uma mulher. o senhor é quem? um transeunte. mas o senhor é parente da vítima? não minha senhora. eu só to passando pelo local. então o senhor não conhece nenhum dos dois. não não conheço. e o homem em questão está fazendo o que mesmo? está agredindo uma mulher. o senhor poderia repetir o endereço por favor? rua b. mais ou menos na altura do n.230. mas se a senhora puder agilizar... é que eu já andei uma quadra e nem imagino o que pode estar acontecendo agora. o senhor não está satisfeito com o atendimento senhor? não é isso, é que esse número é pra emergência... se o senhor não estiver satisfeito, tome suas próprias providências! eu estou tomando. tô ligando pra polícia. não é isso que eu deveria fazer? alô? alô? alô!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
medicação
há duas semanas atrás um aluno meu da escola particular deixou de frequentar a escola.
fui me informar sobre o que teria acontecido com o menino.
ele tentou suicídio.
eu já sabia que ele tem síndrome do pânico, ir à escola diariamente já é um grande desafio, mas nunca passaria pela minha cabeça que um menino de dez anos tentaria suicídio...
na adolescência é normal pensar nisso, mas fazer é outra história.
ele, além de ser criança ainda, pensou e fez. agora, finalmente, os pais se convenceram de que ele precisa de medicação.
perguntei de uma outra menina, que é muito introspectiva e apresenta algumas dificuldades pra se relacionar com os colegas.
chega sempre atrasada também.
tá.
os pais estão separados, a mãe consumidora de crack, o pai alcoólatra, brigam pela guarda dela.
a mãe se apaixonou por um traficante e a menina agora mora com ela e o novo padrasto no "local de trabalho" dele.
foi um baque pra mim.
depois de um tempo trabalhando só na periferia, eu tendia a achar que esse tipo de problema ficava lá.
na periferia esses casos são maioria, na classe média não. mas estão lá.
aprendo muito trabalhando com um novo público.
tenho colegas excelentes que me auxiliam quando preciso.
e tenho turmas que já são motivadas.
eu mal entro na sala e todos estão eufóricos pela aula que está por vir.
com isso ainda não acostumei, fico um pouco desconfiada...
nas comunidades em situação de risco social o desgaste é muito maior.
têm-se que motivar, estimular, pressionar, dialogar, brigar e, ufa, daí dar aula.
no primeiro caso o professor vai tranquilo pra casa. leve, rindo sozinho.
no segundo caso, vai cansado. às vezes exausto. outras vezes com enxaqueca, só pensando no momento daquele bom banho. e que ele leve pelo ralo todas as pressões do dia.
eu adoro o primeiro, de verdade.
mas o segundo...
me desafia.
me fascina.
me exige.
é.
talvez eu também esteja precisando de medicação.
sábado, 19 de junho de 2010
Copa II
Quinta-feira, dia de ensaio geral com três turmas que irão participar de uma apresentação elaborada pelas professoras de dança, capoeira, teatro e música.
Tem público pra assistir e os meninos que estão comigo se mostram muito nervosos. Alguns querem desistir, outros me olham sem saber bem como reagir, outros só tremem. E, claro, sempre tem os que adoram.
Passado o susto inicial, todos vencem seus medos e vão em frente. Eu, claro, morro de orgulho.
No dia seguinte, dentro da programação especial da Copa, tem campeonato de embaixadinha.
Com platéia!
os meninos, depois de participarem, me dizem que a experiência tinha sido como no dia anterior, e que os dois momentos se assemelhavam a pular numa piscina com água bem gelada: deixava qualquer um tremendo!
Tem público pra assistir e os meninos que estão comigo se mostram muito nervosos. Alguns querem desistir, outros me olham sem saber bem como reagir, outros só tremem. E, claro, sempre tem os que adoram.
Passado o susto inicial, todos vencem seus medos e vão em frente. Eu, claro, morro de orgulho.
No dia seguinte, dentro da programação especial da Copa, tem campeonato de embaixadinha.
Com platéia!
os meninos, depois de participarem, me dizem que a experiência tinha sido como no dia anterior, e que os dois momentos se assemelhavam a pular numa piscina com água bem gelada: deixava qualquer um tremendo!
Copa I
e as crianças me mostrando seus bloquinhos com os placares dos jogos.
todas começam a dizer que torcem para a África do Sul vencer a Copa.
Quando eu pergunto porque, respondem que eles são tão legais..
E deveriam ter a chance de erguer uma taça, algo que eles nunca fizeram...
todas começam a dizer que torcem para a África do Sul vencer a Copa.
Quando eu pergunto porque, respondem que eles são tão legais..
E deveriam ter a chance de erguer uma taça, algo que eles nunca fizeram...
terça-feira, 8 de junho de 2010
reformas
tenho ouvido muitas coisas sobre a proposta de gratificação para bons professores ultimamente.
mas de tudo que a envolve, me chama atenção o quanto os professores ficam indignados com a possibilidade de serem avaliados.
tenho minhas dúvidas quanto a proposta, mas definitivamente gostaria muito que o aluno tivesse direito de avaliar seu professor. se faz isso na escola particular, porque não fazer na escola pública?
daí uma professora escreveu ao jornal que isso só poderia acontecer depois que as escolas tivessem toda a infra necessária para oferecer qualidade. como assim? vez por outra se noticia escolas em condições precárias, que nem escolas são, mas tem lá um professor querendo fazer seu trabalho.
numa escola que trabalhei me impressionava a rejeição que uma professora de matemática sofria.
sério.
faziam horrores com ela.
toda semana a direção era chamada pra conversar com alguma turma sobre o relacionamento com ela.
isso acontecia em todas as turmas que ela dava aula.
eu só não entendo como essa professora conseguia continuar dando aula.
nas poucas vezes em que conversamos, era claro que, na visão dela, o problema estava com os alunos, que não a respeitavam e tal. todos os mais de duzentos alunos.
uma vez, timidamente, cheguei a sugerir que fizesse novas propostas, mas ela respondeu que eles não iriam aceitar, que não tinham capacidade pra isso.
tá.
daí dentre tantos alunos, eu tinha uma em particular que declarou guerra pessoal a ela e passava todas as aulas de braços cruzados se recusando a copiar ou fazer qualquer coisa que a professora pedisse.
chamei de canto, tentei explicar que quem saía perdendo era a aluna, que isso faria com que ela repetisse de série e ficasse mais um ano com a professora. ela não se importou. disse que talvez fosse a única maneira da professora perceber o trabalho horrível que estava fazendo.
não teve jeito. e ela rodou.
então, essa professora tem que ganhar os mesmos benefícios de outros que continuam correndo atrás de novas idéias e tecnologias pra tentar manter o interesse dos alunos em aprender?
e no meio de tanta coisa a discutir, uma reportagem sobre os países que são modelo em educação.
aparece em primeiríssimo lugar a Finlândia, que investe mais de 15% do orçamento do país em educação.
na mesma semana, anúncio de corte de 1,3 bilhão na educação do nosso país...
sábado, 29 de maio de 2010
puzzles
Eu ainda não sei de muita coisa.
Sendo otimista, ainda estou no primeiro terço da minha vida, portanto, ainda tenho muito a aprender.
Mas se tem algo que já aprendi é que quando se trabalha com educação, se a equipe não fizer uns pelos outros, afunda. A equipe é todo mundo que trabalha no mesmo espaço, não só professores.
Se as pessoas passam a duvidar ao invés de ouvir, cobrar ao invés de somar, espiar ao invés de olhar, o barco afunda mesmo. E o pior: reflete no atendimento aos educandos. Um professor que vive esse tipo de situação passa a trabalhar com uma pressão maior ainda e isso reflete nas ações em sala.
Se tu não conheces o trabalho do outro, pergunta, ora bolas! Mas a solução mais fácil parece ser tentar disfarçar a ignorância pra não perder a pose. Isso me cansa de uma tal maneira que desanima.
Me faz lembrar de quando morávamos todos juntos, pai, mãe, e quatro filhos. A mãe tinha o desejo de um dia montar aqueles quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças e a mesa da sala de jantar ficava ocupada por muito tempo.
Às vezes (nas vezes mais divertidas) juntava todo mundo na volta da mesa. Virava bagunça, é óbvio.
A gente nunca conseguiu montar um inteiro.
As peças sempre sumiam.
Aliás, em casa com muita gente sempre some muita coisa, umas de propósito (como da vez em que os irmãos se uniram pra sumir com uma roupa da mãe que a gente achava horrível) outras sem querer.
O fato é que ninguém tinha interesse em sumir com as pecinhas, mas elas desapareciam. Talvez na educação seja um pouco assim, todos tentam fazer o seu melhor, mas algumas peças simplesmente não encaixam, pois não estão lá.
Mas tá.
Naquela época (em que ainda morava todo mundo junto) eu fui na casa de uma amiga e tava lá! Bem exibido na parede, um quebra-cabeças de nãoseiquantasmil peças todo montado!
E nesse dia eu aprendi que sim, é muito difícil, mas também não é impossível.
Eu ainda sigo tentando montar os meus, mas às vezes preciso ficar um pouco longe deles, se não eu não agüento.
Hoje tá assim.
Não quero, não quero e não quero brincar. Então não vou descer pro play! (ouvi isso a semana toda de uma pessoa que gosto muito. Não resisti, tive que usar)
Pelo menos hoje.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Improvisação
Improvisação combinada.
um dos grupos faz uma história de um menino que acha uma lâmpada mágica que lhe dá direito a fazer três pedidos.
Eu, claro, já imaginei quais seriam.
Quando a cena segue sou surpreendida ao perceber que o primeiro deles é um carrinho com controle remoto.
O segundo é que abrisse sol pra que ele pudesse brincar fora de casa.
O terceiro, um presente pra ele poder dar de dia das mães, já que ele ficou devendo na data.
E o ser humano sempre com a mania de achar que sabe das necessidades do outro..
sexta-feira, 21 de maio de 2010
na brinquedoteca
falando sobre futebol a professora pergunta porque o Dunga pode chamar os jogadores que ele quer pra ir pra copa, ao que eles respondem "mas ele é o presidente do brasil, ele pode" mas se ele é o presidente do brasil, quem é o lula? "o presidente dos estados unidos, né?"
quinta-feira, 20 de maio de 2010
ai..ai..
dia pieguíssimo.
tudo lindo.
tão lindo que enjoa.
hoje a prof de dança e eu reunimos nossas turmas numa sala só em quase todos os períodos. embora com o dobro de alunos, a gente se diverte muito mais.
eles eu não tenho bem certeza, mas a gente dá muita risada e fala muita coisa que, de novo, não tenho certeza se eles entendem. mas se esforçam!
e isso tem um resultado surpreendente. todas as vezes em que nos juntamos os alunos ficam com os olhos e ouvidos mais atentos.
talvez pela novidade.
talvez pelo nosso humor meio escrachado.
não sei.
e quando sobra um tempinho, a gente ainda consegue enriquecer nosso olhar sobre eles.
conduzi um relaxamento com música, um espreguiçar e ela um super alongamento.
depois conversando, me conta uma história linda sobre um dia em que ela fez um trabalho semelhante com os pequenos e colocou uma música infantil de uma boneca que é esquecida e uma das crianças chorou muito com pena da boneca.
e eu tive que contar de um aluno, que é daquele tipo disperso, que a gente nunca sabe se está ouvindo o que se diz, que comentou que o horário que ele mais gostava de ir pro ginásio era de tarde, porque o sol deixava tudo laranja e ficava lindo.
e mais um outro menino que conseguiu refletir sobre se devia ou não pedir desculpas.
e a menina de 14 anos que tentou ensinar um menino de 9 a dançar (isso não acontece com frequência nessa idade)
e mais um bando de meninos que se abraçou com verdade no final de um exercício (isso, com certeza, é raridade)
e mais um monte de abraços que eu ganhei.
eu avisei lá no início.
piegas.
pieguíssimo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
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